Chairlift

No final do ano passado tive a oportunidade de conversar durante alguns minutos com Caroline Polachek e Patrick Wimberly antes do concerto que deram no Coliseu dos Recreios em Lisboa. O artigo foi publicado originalmente na Rua de Baixo.

Chairlift | Entrevista

Os Chairlift acabaram de lançar álbum novo. Chama-se “Moth” e nós falámos com a dupla pouco tempo antes de subirem ao palco do Coliseu durante o Vodafone Mexefest. Da curta conversa ficou vincada a ambição e a coragem de quem não se conforma com o que tem e que procura sempre fazer melhor, fazer diferente, correr riscos. Eis Caroline Polachek e Patrick Wymberly em discurso directo.

Vão lançar um novo álbum em Janeiro, mais de três anos depois de “Something”. Podem falar-nos um pouco sobre ele? Qual a história por detrás do título?

[Caroline Polachek] “Moth” vem de uma das canções do álbum mas tem, de certa forma, um significado maior, mais abrangente como título do álbum. Não se vêem traças (“moths”) em Nova Iorque muito habitualmente e quando as vemos sentimo-nos como que um pouco preocupados com elas porque sabemos que não vão durar muito tempo. Mas por outro lado as traças têm uma extraordinária capacidade de persistência, e continuam a fazer coisas que nem são necessariamente boas para elas… [risos] São no fundo criaturas belas e frágeis e eu gosto particularmente dessa ideia de ser uma coisa sensível e suave, num sítio duro e complicado. E é dessa direcção que o nosso disco vem… de uma ideia de persistência e de vulnerabilidade.

O primeiro single, «Ch-Ching» é extremamente dançável. É uma daquelas canções em que é quase impossível ficar sem bater pelo menos o pé. É um reflexo do álbum ou é apenas um momento?

[Patrick Wimberly] É apenas um momento do disco. Como a Caroline descreveu antes… [risos]

[CP] Os nossos álbuns são quase como playlists… há extremos e canções que ficam algures pelo meio. Se te lembrares do nosso último disco, não tínhamos canções como a «Amanaemonesia». Gostamos de evoluir, mudar, tocar e recorrer a sons diferentes. Mas depois de se escutar algumas vezes o álbum, penso que se conseguia perceber que a «Amanaemonesia» estava de alguma forma ligada ao resto do disco, embora fosse um momento extremo. Gostamos de surpreender as pessoas…

Que têm ouvido ultimamente? Influenciou-vos de alguma forma durante o processo criativo do álbum?

[PW] Ultimamente tenho ouvido Celia Cruz. É uma artista fabulosa de salsa, mas em termos de influência para o álbum tenho ouvido Timbaland… tudo o que ele fez nos últimos anos acabou de alguma forma por influenciar…

Têm incorporado outras formas de arte como o vídeo e a dança nas vossas performances (também muito presentes no teu trabalho como Ramona Lisa). Vêem-no como um complemento do vosso trabalho ou é na realidade parte daquilo que são como artistas?

[CP] É um pouco de ambos. É um complemento e uma grande parte do todo. Penso que é da responsabilidade de um artista providenciar uma imagem para a sua música, porque se não o fizermos nós, alguém o fará e penso que se tens uma visão na tua cabeça e não a pões cá para fora, não estás a ser leal para contigo próprio e para com a tua canção.

O que poderemos esperar dos Chairlift em palco, agora que há um álbum novo mesmo à porta?

CP: Em palco vamos ter uma nova banda. A cada álbum reformulamos por completo o nosso espectáculo ao vivo. No primeiro disco éramos três em palco. No segundo disco éramos cinco pessoas e agora vamos ser quatro mas com um alinhamento sempre diferente. Vamos ser acompanhados por um fantástico músico de jazz chamado Danny Meyer, no saxofone, e Starchild [nota de rodapé: que também colaborou recentemente com Dev Hynes e Solange Knowles] nas vozes, percussão e guitarra. O Patrick… eu vejo-o como o piloto de uma nave espacial. Ele é como uma “beat station”. O guardião do groove… Basicamente ele vai estar a remixar as canções ao vivo.