Arcade Fire – In The Backseat

Arcade Fire - In The Backseat

Foi em 2005, durante uma viagem de autocarro entre Lagos e Sines. Não tenho uma ideia exacta de que dia era mas sei que foi no final de Agosto. O Paredes de Coura já tinha terminado e os Arcade Fire tinham dado aquele concerto épico que ficou nos anais da história. Não o vi. Aliás, nessa altura ainda estava a perceber ao certo se os queria continuar a ouvir ou não e nessa viagem aconteceu algo que ainda hoje não sei bem explicar. Um dos álbuns que tinha no magnífico leitor de MP3 com 128 ou 256 megas – já não me recordo ao certo de quanto espaço tinha – era o “Funeral”. Faltavam apenas 6 minutos e 40 segundos para o álbum chegar ao fim, ou seja, restava uma canção. Uma canção que é diferente de todas as outras. Após nove canções épicas, surge uma que é delicada e suave, mas cujos arranjos e pormenores não ficam a dever, em nada, às restantes. Esta canção é cantada quase como um sussurro, pela voz de Régine Chassagne. Chama-se «In The Backseat». Quando começou, algo se passou cá dentro. À volta tudo parou. O volume subiu mais um pouco. Um arrepio na espinha, daqueles vindos mesmo lá do fundo subiu pelas costas acima. A canção fala sobre o medo intenso de guiar que algumas pessoas têm. Fá-lo com poucas palavras mas fá-lo de forma perfeita. Cada verso tem a sua conta, peso e medida.

I like the peace
In the backseat
I don’t have to drive
I don’t have to speak
I can watch the countryside…

Naquele momento e até ao final da viagem a canção ficou em repeat. Naquele momento fez-se clique. E ainda hoje faz. A fotografia que acompanha este texto é do Anton Corbijn. Se ainda não conhecem o trabalho dele, fica aqui a sugestão.

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