Noiserv e os Sigur Rós

Noiserv e os Sigur Rós

Até há bem pouco tempo mantive um projecto em que desafiava algum músico ou banda a escrever um texto sobre o seu álbum preferido ou algo que estivesse a ouvir na altura. A ideia era mostrar como os músicos olham para outras obras. De que forma estas os afectam e impactam. Foram vários os textos publicados mas nenhum conseguiu encerrar tanta sinceridade e honestidade em tão poucas palavras como o do Noiserv. Penso que seria um crime deixar cair as palavras que se seguem no esquecimento, por isso aqui ficam elas.

Há discos assim…

Há discos que nos deixam sem palavras e com tantas por dizer ao mesmo tempo.
Há discos que se ouvem uma vez e que nunca mais se apagam.
Há discos que se repetem num mesmo caminho, apenas pelo prazer de sentir a perfeição.
Há discos que falam por nós.
Há discos que se calam por nós.
Há discos que soam à nossa vida.
Há discos feitos das mais bonitas imagens que um dia vimos.
Há discos que veêm por todos os olhares que já cruzamos.
Há discos que não nos deixam esquecer de quem não queremos esquecer.
E há discos que um dia esperamos que não se esqueçam de nós.
Um desses, é para mim o “(…)” dos Sigur Rós, o qual acabei de ouvir e me fez re-chorar.

Arrepia.

A fotografia é da Vera Marmelo.