Cass McCombs – Medusa’s Outhouse

Todos os anos há um álbum que reconheço como bom mas que, por um motivo ou por outro, custa mais entrar no ouvido. Este ano essa honra coube ao “Mangy Love” do Cass McCombs, sobre o qual até já escrevi umas linhas num post anterior. Essa barreira foi ultrapassada no final do mês passado, talvez por ir vê-lo ao vivo e isso me ter levado a escutar o álbum com mais alguma insistência. A verdade é que essa barreira invisível caiu e pude ver e escutar “Mangy Love” em toda a sua magnificência e plenitude.

O vídeo que acompanha estas palavras é para «Medusa’s Outhouse», a quinta canção do álbum, onde McCombs traça um paralelo entre o fim de uma relação amorosa e a mitologia grega, plena de tragédias e desamores.

Help me, help me to remember to forget
To forget what hasn’t happened yet
Knock me down that mystic slide again
Tell me, tell me about Medusa’s outhouse
Medusa’s outhouse, and the hornet’s nest
Stone me if I didn’t pass the test

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Cass McCombs – Opposite House

Não há pessoas perfeitas. Isso é um mito. As canções perfeitas são raras. Cass McCombs não as sabe fazer más e acreditem que isso vale ouro nos dias que correm, onde há tantas canções novas a aparecer a todo o momento e a serem esquecidas com a mesma velocidade.

«Opposite House» reúne qualidades/ingredientes tão distintos e apelativos como aquela guitarra que já é imagem de marca de Cass McCombs, a voz de Angel Olsen (<3) nos coros para nos aquecer a alma, aquelas cordas tão pouco habituais mas que soam bem mas bem (venham mais!) e as letras que nos fazem pensar no seu real sentido e nos sentimentos que encerram em si. Até há tempo para nos explicar como funciona um iman: “How do you make a magnet? / You create a potential / Just an old refrigerator magnet / Repelled and pulled / Ooohhhh why so needy? / Tell me why”.

No final da canção, McCombs, canta “Why does it rain inside?”; não consigo deixar de pensar que este último verso da canção sumariza de forma perfeita muito do que se passa à nossa volta. Apercebemo-nos dos problemas, vemo-los materializarem-se diante de nós e à nossa volta, a ter impacto cada vez mais directo nas nossas vidas e, mesmo assim, ficamos impávidos e serenos a ver tudo acontecer, sem nada fazer.

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